ARTIGOS

 

29.08.2008

Senhor Eleitor

RAIMUNDO MARINHO

Findaram-se acordos, negociações, entendimentos, onde isso foi possível, embora ainda possa sempre haver conchavos. Propostas estão colocadas ou sonegadas e caras postas à vista. Umas alegram, outras arrepiam. Há as que sugerem confiança e tantas que são sombrias. Começou a campanha eleitoral e entrou no ar a propaganda no rádio, novidade em Livramento de Nossa Senhora.

Em cena, o “Senhor Eleitor”, otário ou esteio desta festa dita democrática. Por uns dias, será o objeto do desejo. Irá ao topo da importância e, de lá, desabará, tão logo se confirmar que já votou. A visão da cédula desaparecendo na fenda da urna, outrora contemplada na solidão da cabine, foi substituída pelo som característico do equipamento eletrônico.

Nesse momento, o “Senhor Eleitor” é a própria nação democrática. Não importa o que come, onde e como vive, cor e tipo de cabelos, se tem dente ou é desdentado. Nem seu nome interessa. Reinará pelo menos até 5 de outubro. Diante de si, o cenário desanimador da falta de planos de governo, combinada com a existência de “sanguessugas” e “fichas-sujas”. Muitos vão decidir entre sua consciência de cimento e bloco e um corruptor.

Será o juiz, ao suprir o que a sentença togada não quis assumir. Estará entre a conveniência e o futuro. Estará a indagar sobre o que sejam “fichas-sujas” e “trânsito em julgado”. Vai hesitar, quando na sua cabeça desfilarem tormentosas lembranças, como: “carga tributária”, “falta de capital de giro”, “juros altos”, para uns. E “chão batido”, “receita médica”, “puxadinho da casa”, “contas de luz e água atrasadas”, “filho com febre”, “roça sem água”, “pés descalços”, “dentadura”, “falta de dentes”, para tantos outros.

São tantas coisas para caber naquele número e naquela urna! Quando digitar, aparecerá um rosto, sorridente ou circunspecto, e terá vontade de conversar com ele. Mas logo lembrará: “não posso, ele não fala e eu não sou ninguém”. Pensará ou falará baixinho: “Será que escolhi certo? E se esse sem vergonha nada fizer por mim? Ah, não importa! Hoje, eu escolho, eu mando. Ele só vai ‘chegar lá’ porque eu estou ajudando”.

O mesário está impaciente, mas ele, Eleitor, pensa mais um pouquinho: “Nunca ele poderá negar isso, mesmo que leve quatro anos para voltar à minha casa, me dar tapinhas nas contas ou dizer que precisa de mim, que conta com meu apoio”. Pois é, “Senhor Eleitor”, você terá seus bem menos de 15 minutos de glória, para garantir os quatro anos da glória de suas excelências.

(Originalmente publicado no jornal “Folha da Chapada”)

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26.08.2008

(Textos escritos e apresentados pelo jornalista Raimundo Marinho, no programa a “Oração da Ave Maria”, da Rádio Portal FM, de Livramento de Nossa Senhora. O programa vai ao ar às 18h)

Ave Maria 120
(Assunção de Maria)

Celebra-se hoje, quinta-feira, a última das novenas preparatórias da festa da Assunção de Nossa Senhora, a padroeira de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia. O novenário teve como tema os sacramentos, considerados, pelo mundo católico, como sinais da presença de Deus, atuando para fortificar a fé e engrandecer o espírito dos cristãos.

Nas celebrações, as homilias sacerdotais chamam a atenção para a necessidade e urgência de se atender ao apelo para o encontro com Jesus Cristo. As leituras dos evangelhos e as pregações litúrgicas mostram que esse encontro com Cristo e, consequentemente, com Deus, começa na vida atual.

Os ensinamentos procuram deixar claro que a melhor oração é aquela que resulta em modificação do nosso modo de viver, fazendo-nos mais generosos, mais compreensivos e mais gentis para com todas as criaturas de Deus.

A aceitação do convite para o abraço com Jesus Cristo deve ser plena, sem restrição, tal como dois enamorados quando se entregam. Foi assim que fez Nossa Senhora, ao ouvir o Anjo do Senhor dizer: “Fostes eleita por Deus, Maria”. Embora ainda muito jovem e sem saber direito o que se passava, ela soube reconhecer o mensageiro de Deus e não titubeou.

Informada de que seria a mãe do Cristo, o filho de Deus, respondeu, firme: “Eu sou a escrava do Senhor, que em mim se faça conforme a Sua vontade”. Ela não hesitou no cumprimento da missão divina, o que fez como uma cidadã comum.

Em seu tempo, ela não era Nossa Senhora. Viveu e sofreu como vive e sofre hoje qualquer mãe e qualquer dona-de-casa. Talvez a diferença esteja no fato de ter aceitado viver como uma referência de Deus, na Terra, mostrando que também podemos fazer isso. Basta ter coragem e vontade suficientes, para ser parte e viver integralmente o plano de Deus!

Ave Maria 121
(Livramento sois vosso, Maria)

Hoje, 15 de agosto, é dia de festa, em Livramento de Nossa Senhora! Dia da padroeira! “Aqui da vossa cidade, ó Maria, sois a Excelsa Protetora”. Sois a mãe de Jesus e Ele, do alto da cruz, na pessoa de João, nos legou, a ti, Maria, também, como nossa mãe”. Referindo-se ao discípulo amado, te disse: “Mulher, eis aí o teu filho”. Depois, ao discípulo, afirmou: “Eis aí tua mãe”.

E por quantos anos estais a derramar vossas bênçãos sobre Livramento! Quantas gerações já vieram e já foram, aqui vivendo sob o manto a tua proteção! Quanto já temos rogado a ti, para que nos abençoe e abençoe os nossos filhos! Para quantos já advogou junto ao amado filho, Jesus Cristo! Quantos lamentos, quantos rogos já ouvistes, Maria, desse teu povo!

Quantas lágrimas já nos vistes chorar! Quantas alegrias, também, já nos vistes cantar! Quantos risos já houveram, tantos compartilhados contigo! Não há colo, não há regaço mais consolador que o teu, Maria!

Eu te imagino viva, Maria, a consolar-me com o teu olhar de mãe! Eu sinto, dentro de mim, o frescor da tua inspiração. E te sinto viva a conduzir-me para o lado da alegria de Deus!

Eu te sinto, com a doçura de mãe, a soprar teu hálito santo sobre mim, muitas vezes aplacando a minha ira, suavizando a dureza do meu coração, clareando a minha mente e refrescando o meu espírito!

Vejo-te viva, ó Maria, seguindo os caminhos dos meus filhos, para quem tanto rogo tuas bênçãos! Sinto que tua presença viva, Maria, dentro de mim, é um clarão pelo qual vejo a imagem luminosa de Jesus Cristo; e enxergo o caminho de Deus!

Tuas bênçãos, ó excelsa protetora, fazem com que Jesus me ouça e me animam a almejar a benevolência de Deus! E rogo, Maria, para que assim seja com todos os filhos aqui da vossa cidade, da qual sois a excelsa protetora. Tende, pois, de nós piedade, ó mãe de Deus, co-redentora! Porque Livramento sois vosso, ó Maria!

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11.08.2008

ELEIÇÃO: POR QUE FALTA EMOÇÃO?

Frei Betto (*)

Pobres candidatos às próximas eleições municipais! Andam pelas ruas, cumprimentam eleitores, distribuem sorrisos, entopem-se de pastéis, afogam-se em cafezinhos, e não provocam nenhuma emoção. Quantos votos haverão de angariar com esse peripatético (mais patético que outra coisa) aquecimento eleitoral?

Os candidatos a prefeito confiam nos programas de TV, capazes de levar suas imagens a inúmeros lares e, quem sabe, aumentar seus índices nas pesquisas. Os marqueteiros eleitorais capricham no visual de seus clientes, maquiam o débil de forte; o corrupto de honesto; o nepotista de ético; o incompetente de capaz; o feio de bonito. Trata-se o candidato como produto e o eleitor como consumidor. Produto com prazo de validade a vencer no dia da apuração. Os derrotados evaporam e os eleitos são alçados às inalcançáveis estruturas de poder.

Por que falta emoção? A emoção é filha da utopia, do sonho que alenta, da paixão que encoraja, do desejo que se projeta. Esta a palavra-chave: projeto. Qual o projeto ou programa dos candidatos, além do próprio interesse pessoal de eleger-se? O que os candidatos a prefeito têm a dizer quanto ao sistema municipal de saúde, educação, saneamento, transporte coletivo, alimentação, áreas de lazer, esporte e cultura?

A política partidária distancia-se cada vez mais de ideologias e se aproxima de alianças espúrias. Trocam-se princípios por promessas; ideais por acordos; projetos de mudanças sociais pelo olho gordo nas eleições futuras (hoje eu o apoio, daqui a dois anos você me retribui…).

Não podemos nos enojar da política, apesar da mediocridade da maioria dos candidatos. A política é a única ferramenta que a espécie humana conseguiu inventar para melhorar ou piorar sua convivência social. Assim como a miséria nasce da má política, a que produz desigualdade, a vida digna e feliz para todos também deriva da política vigente no município, no estado, no país e no mundo. Não é à toa que se diz que todos os povos deveriam votar no presidente dos EUA, tamanho o peso desta nação no destino de nosso planeta.

 Ainda é tempo de tirar os candidatos dos patéticos sorrisos e tapinhas nas costas, e da moldura televisiva que visa a produzir sedução e não compromissos. Promovam-se debates da sociedade organizada com quem pretende ser vereador ou prefeito. Movimentos sociais, escolas, sindicatos, associações, ONGs, denominações religiosas etc., devem convocar candidatos para o diálogo olho no olho, de modo a avaliar se têm projetos ou apenas ambição de poder; vínculos com grupos populares ou representam interesses corporativos oligárquicos.

Ao votar em branco ou nulo o eleitor estará dando as costas à política. Ao se desinteressar das eleições estará prestando inestimável favor aos maus políticos; tudo que eles querem é fazer da política um pedestal no qual se distanciam do povo e no qual metem a mão no dinheiro público, praticam o nepotismo, e ainda gozam de imunidade e impunidade. O voto é também uma importante ferramenta para mudar uma sociedade e construir o "outro mundo possível".

(*) Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do Poder", Ed. Rocco, entre outros livros
(Enviado pelo jornalista Mauri de Castro Azevedo)

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E agora, STF? (*)

Supremo ocupa espaço político e se torna mais vulnerável às críticas da sociedade

RUDOLFO LAGO

A tarde da quarta-feira 6 estava quente e seca em Brasília. No Congresso, os presidentes do Senado e da Câmara, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), lutavam para garantir a presença de senadores e deputados à sessão, enquanto 76 projetos de lei e emendas constitucionais aguardavam na pauta. Nesse momento, o pulso político do País transferia-se para um outro prédio a apenas 300 metros dali: o Supremo Tribunal Federal decidia o futuro de centenas de candidatos que concorrem às eleições deste ano respondendo a processos na Justiça. Era no Supremo, e não no Congresso ou no Executivo, que ocorria o principal acontecimento político do dia.

O Supremo tomou uma decisão polêmica. Nove de seus 11 ministros decidiram que políticos que respondem a processos – os chamados candidatos com “ficha suja” – não podem ser impedidos de disputar a eleição, contrariando o entendimento de alguns tribunais regionais e da Associação dos Magistrados do Brasil. No caso, prevaleceu na corte um dos grandes princípios da Constituição, que é o da presunção da inocência: o candidato não pode ser punido por um crime pelo qual ainda não foi julgado em última instância. Além da defesa do princípio constitucional, o julgamento embutiu outra característica das ações mais recentes do Supremo: suprir vácuos deixados pela atual lentidão do Poder Legislativo.

O STF teve de decidir porque não havia uma norma legal clara sobre o tema. Um dia depois, por dez votos a zero, a corte votou a favor da anulação do julgamento de um homem, identificado pelas siglas A.S.S., que fora condenado a 13 anos de
prisão por homicídio triplamente qualificado. A.S.S. alegava que o fato de ter permanecido algemado durante o seu julgamento havia lhe criado um constrangimento ilegal e influenciado o júri. Relator do caso, o ministro Marco Aurélio Mello deu razão ao condenado, e foi acompanhado pelos demais ministros. O veredicto dado a A.S.S. vai valer para outros casos de abuso de autoridade.

Essas decisões podem não ser o que esperava a maioria da sociedade brasileira, mas elas configuram mais um capítulo do que o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, classifica como momento de protagonismo da Suprema Corte. Sinal dos tempos: na quinta-feira 7, uma carta com um pó desconhecido endereçada a ele, forçou a evacuação do prédio do STF. Minutos antes, o Supremo recebeu a segunda ameaça de bomba em um mês. A evidência em que está o STF deriva de três aspectos. O primeiro é que a Constituição de 1988, que completa 20 anos, está prestes a se tornar a mais longeva do País.

Chegou-se, assim, a uma situação em que, em vez de se pressionar para mudá-la, a discussão passou a se centrar em como aplicá-la. “É preciso se ter em mente que o STF ocupa, e ocupará cada vez mais, a condição de uma verdadeira terceira Câmara no Brasil, ao lado da Câmara dos Deputados e do Senado Federal”, avalia Gilmar Mendes. Depois de 1988, com a criação do Superior Tribunal de Justiça e com a obtenção de instrumentos que têm conseguido enxugar a sua pauta, o STF vai se tornando mais parecido com a Suprema Corte americana: um tribunal constitucional que discute apenas os grandes temas jurídicos.

O segundo ponto é a alteração na forma de atuação do Supremo na avaliação de casos mais complexos e polêmicos, como a decisão tomada no semestre passado de aprovar as pesquisas com células-tronco embrionárias. O então relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, inovou ao fazer a primeira audiência pública da história do mais alto tribunal do País. O terceiro aspecto é a própria mudança de perfil da nova geração de ministros, que não têm o mesmo ar de personalidades inatingíveis. Hoje, os juízes namoram publicamente, citam poetas em suas sentenças e até escrevem livros eróticos.

(*) Enviado por José Maria Silva, que assim se manifestou: “Ao terminar de ler a reportagem de Isto é (transcrita acima) lembrei-me do site Mandacaru da Serra, pois esse tema precisa ser divulgado e esclarecido a toda população e em Livramento só temos você (editor do site) com a capacidade para tratar de assunto tão relevante”. 

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Juizes do Voto

Atila de Almeida Oliveira (*)

“Nada deve ser sonegado ao conhecimento dos eleitores, que devem ser informados por meios idôneos, em consonância com as diretrizes constitucionais."

Recentemente, este meio comunicativo veiculou em seu caderno político a “caça aos fichas sujas “por meio de ação de inelegibilidade proposta pelo Ministério Publico estadual. Considerando tratarmos de um estado democrático de Direito no qual a Carta magna de 1988 reza em seu art. 5º , XXXV, que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.

Pois bem, para o entendimento de muitos, no contexto dos requisitos para ser candidato e pela interpretação da Constituição Federal, "surge a exigência de verificação da vida pregressa do pretenso candidato, como condição de elegibilidade implícita, decorrente do princípio da moralidade, a ser aferido no momento do registro da candidatura" o que não se confunde com a apreciação do judiciário para considerar culpado ou não e demonstra a sua vida pregressa após julgado em ultima instância sobre o que se discute para a inelegibilidade prevista pelo principio da especialidade da legislação eleitoral.

Julgar é tarefa que os homens somente podem exercer bem, quando estejam despojados da supremacia do ego. É atividade que deve ser comandada pelo Eu, essência divina que anima o ser. Por isso o Juiz deve aprimorar o ego de tal sorte que ele seja o reflexo de sua essência, realizando em si mesmo a divindade que recebeu em semente, no momento de sua criação.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a ação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que requer que os candidatos condenados pela Justiça em qualquer instância - mesmo que os processos não tenham sido julgados em definitivo - se tornem inelegíveis. A Associação pleiteante já causou polêmica e recebeu críticas por divulgar em seu site a lista de candidatos com a "ficha suja".

Entre os ministros integrantes da corte suprema judiciária, deve prevalecer o consenso de que seria "perigoso" impedir o registro de candidatos com a "ficha suja" sem que os processos não tenham sido julgados em todas as instâncias. De fato, a competência originária para julgar pleitos que dizem respeito a dispositivos constitucionais e da suprema corte brasileira, STF, fazendo efeito erga omnes, ou seja, para todos quando reconhecida seu mérito.

Tal debate travou-se com o argumento de que os candidatos não podem ser impedidos de disputar as eleições se responderem a processos que não forem julgados definitivamente por todas as instâncias judiciais. Embora os ministros sejam contrários à candidatura de políticos com "ficha suja", a maioria avalia que a Justiça Eleitoral deve limitar as candidaturas somente daqueles já condenados em definitivo em considerações ao principio de inocência presumida.

O respeito a Presunção de inocência, requer que "A repulsa à presunção de inocência mergulha suas raízes em uma visão incompatível com o regime democrático." Segundo o Ministro Celso na ação proposta de Mello, a idéia de que "todos são culpados até que se prove o contrário" é um postulado de "mentes autoritárias", praticado nos regimes absolutistas e totalitários. Para o ministro, o princípio da presunção de inocência é tão relevante para a democracia que constitui uma regra da respeito à dignidade da pessoa humana, incluída em inúmeros documentos e convenções internacionais sobre direitos humanos.

A regra do trânsito em julgado, que impede que qualquer cidadão seja considerado culpado enquanto ainda pode recorrer de uma condenação, e o princípio constitucional do devido processo legal também foram ressaltados pelo ministro como fundamentais. O princípio da presunção de inocência irradia seus efeitos para além da esfera criminal. "A humanidade não ganha coisa alguma com a condenação de um inocente" como já afirmava o saudoso penalista Beccaria.

Não cabe oportunamente aos juízes eleitorais julgar pela inelegibilidade de candidatos que respondem processos sem transito em julgado como requereu ser inelegíveis o Ministério Público da Bahia, na comarca de Livramento (Noticia vinculada a artigos divulgados anteriormente). Portanto, julgar conforme os ditames de vossa consciência é fazer justiça, pois de fato, estamos no estado democrático de Direito, no qual o poder do povo, sem dúvida alguma é a melhor sentença por via do voto. Direito é Direito, Justiça é justiça... “Ser justo é dar a cada um o que é seu por direito” (Ulpiniano)

(*) Átila Oliveiras é advogado inscrito na OAB/SE, especialista em Direito Processual Penal, sócio diretor do escritório de advocacia Oliveira & Cruz Advogados Associados, em Aracaju/Se, docente das cadeiras de Direito Penal e Processual Penal e pesquisador das Ciências Jurídicas.

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07.08.2008

MIDIA, POLÍTICA E POBREZA!

JOSÉ MARINHO

Segundo pesquisa do IBOPE, em maio deste ano, o número de internautas chegou a 41,5 milhões em todo o Brasil. O Mandacaru também com o número de 8.000 visitantes que é aproximadamente 20% dos habitantes de Livramento, mesmo ficando 80% sem ter ainda acessado ao Site, já é um número bem expressivo, principalmente se compararmos com a porcentagem (%) de pobreza e desigualdade publicada, de acordo dados do IBGE, pelo mesmo. É impressionante como O Mandacaru consegue expressar de forma objetiva esses problemas e outros existentes.

Quanto a essa pobreza e a desigualdade social a que estamos cansados de assistir em uma terra rica de coisas, gostaria de dizer que ser pobre é, por assim dizer, uma das maiores violências que se pode cometer a um ser humano, além de significar ter que viver ferido pela exclusão social, imposta pelo simples fato de ser pobre, para não dizer ser um não possuidor dos bens necessários para continuar existindo sem desconforto.

Para vencer obstáculos como pobreza e desigualdades, seria necessário que ultrapassássemos os limites do assistencialismo social, que a gente ver com mais violência em época de eleições, impedindo, assim, que o pobre seja tratado de forma exclusiva dentro de uma sociedade, seja ela narcisista ou não, onde se priorizam apenas estéticas ambíguas e desumanas. O que a meu ver, com olhos míopes, que para sair desse modelo significa olhar o indivíduo, independentemente das roupas e da maneira de falar, como se fosse cada um de nós também.

Fala-se tanto de democracia plena, e o que se vê é um Estado cada vez mais capenga diante de tantas vítimas, e continuará a ser enquanto não se preparar melhor as crianças com qualidade, sem a tortura psicológica da mídia atual, que não deixa de ser também uma forma de violência, que podemos constatar a olho nu no nosso dia-a-dia como esse capitalismo selvagem onde o que importa é quanto se vai ganhar pelo serviço. Veja hoje o grande número de pessoas que acessa à WEB em casa, que, segundo as estatísticas, já chegam a casa de 35,5 milhões, com uma bomba de propaganda para provocar o consumismo sem uma preocupação com a qualidade.

Hoje, a mídia está preocupando demasiadamente só com o crime, sem fazer uma análise também de seus aspectos, o que acaba ficando de lado é o estudo das políticas sociais, que seria saber como às escolas estão ensinado os seus alunos e seus familiares a se defender dessas violências.

Nas grandes cidades e também nas pequenas, já chegam até não se permitir que as crianças saiam de casa para brincar e, assim, seu desenvolvimento acaba sendo atrofiado, e não só isso, até mesmo as suas amizades, elas acabam assim substituindo esse tempo por horas seguidas em frente a uma TV ou mesmo um Monitor (para os 20%). Dessa forma elas acabam se tornando um indivíduo inválido crônico com muitas cicatrizes no espírito, que nenhum cirurgião por melhor que seja será capaz de um dia tratar.

Com isso, quis apenas tentar desenhar que, como leitor deste espaço, devemos sempre estar atento à evolução do mundo em nossa volta, para, assim, diante de um Estado enfraquecido, não vir a cair em um abismo que os anos de atraso nos impõem, e se tornem cada vez maior e insondável, como tem sido a concepção política dos últimos tempos.

A juventude de Livramento, que ainda não se encontra perdida com as especulações políticas ou entregue a uma aventura e um jogo qualquer, bem que poderia se preparar para vir governar o município, e, assim, poder-se evitar a repetição dos erros do passando e presente, quanto à falta de criação de espaço para todos. É compreensível que todo jovem se sente ainda infantil diante da linguagem dos políticos, no entanto, devemos lembrar que estes mesmos jovens estão sendo usados pelos políticos para conquistar suas vitórias; homens agitados e de negócios que lutam conscientemente para conquistar um bom negócio e continuar controlando os destinos dessa massa – crianças, jovens, adultos e velhinhos, não muito diferente do que faz a mídia, com apenas uma massificação verbal dos problemas, muito pouco de prático é feito a esse respeito, só apenas verbalizando e tudo aí continua sem a solução importante.

É preciso mais do que um bom discurso, que sempre acaba em um “senso incomum”. Em outras palavras, interesses sociais, que, em última instância, só destinado a mudar, mas sim também para melhorar, e não ficar apenas aí jogando a culpa nas deficiências da educação. Hoje, com tanta parafernália que a indústria da mídia coloca no ar, precisamos ter olho grande, não como o do sapo que é grande e sempre continua na lama. Que a educação não seja apenas para nos ensinar a arte de ganhar dinheiro, mas também para saber gastá-lo, sem o conseqüente desdém pela pobreza que constitui apenas um sintoma de doença do organismo social.

É importante pensar de forma crítica em solução para resolver e superar de vez o contraste aí existente entre a riqueza excessiva nas mãos de poucos, e a pobreza extrema deixando milhões de estômagos vazios. Como conseguir isto pode até não ser tão difícil, basta um cérebro privilegiado começar a pensar como fazer, utilizando as mãos, e não apenas vir com a máxima: “essa é a tua opinião, mas a minha e outra”.

Qualquer leitor que se esforçar vai compreender que abusando de sua arte, brincando de refutar, seria como os cachorrinhos novos, cujo prazer principal consiste em apenas puxar e morder os outros. Hoje o que a mídia nos apresenta como sujeito democrático, não passa de um tipo de individualista, tal com dos outros tipos de homens que não se mostram dispostos por isso a renunciar às suas vantagens e gostos particulares.

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02.08.2008

Um jeitinho brasileiro

Maraisa de Oliveira (*)

Boa parte da sociedade cobra tanto dos nossos governantes, e não percebem que agem da mesma maneira, claro que com menos dinheiro no bolso ou na cueca, quem sabe. A verdade é que estamos acostumados às facilidades do velho jeitinho brasileiro. O mau hábito do povo é impressionante, para tudo dá-se um jeito, se eu precisar de um lugar na fila não devo me preocupar já que conheço alguém da repartição.

Assim é fácil, um troco errado, um velho conhecido dentro do banco, uma rasteira naquele que dormiu na fila de um posto médico para pegar uma ficha que só será atendido daqui a um mês. Espertos? Não! Bobos, ou melhor “ingênuos”, passam rasteiras em si mesmos.

O “salve-se quem puder” nada mais é do que o descaso generalizado das autoridades públicas quanto às reais necessidades do povo, desta à corrupção é apenas um passo.

Não percebemos que com essas atitudes só estamos sendo espelhos de quem tanto abominamos, o brasileiro não nega a existência das leis, mas finge não enxergá-las já que as reais medidas não são tomadas.

Será que é possível levar vantagem em tudo? Driblar as dificuldades para poder vencer na vida, isso não é de todo negativo. É possível usar esse jeito brasileiro de ser através da inventividade para fazer as coisas positivas de maneira a ajudar outras pessoas, infelizmente alguns insistem em fazer de maneira negativa.
Muitas vezes o limite entre o bom uso da criatividade e a entrada em campo do jeitinho brasileiro em seu lado perverso é tênue e às vezes damos até razão aos infratores, colocando-os como vítimas.

Por exemplo, quem já não ouviu aquela frase “ele rouba, mas faz” ou quem não reclama das altas taxa de juros que temos que pagar ao governo todos os meses e justificamos a sonegação exatamente por isso, se não houvesse a sonegação poderíamos pagar menos tributos.

Quando der uma volta pela cidade observe os ambulantes, por um lado lutam pela sobrevivência, mas acabam prejudicando o comercio formal, que sem condições de pagar as taxas precisam demitir funcionários, e ai mais desemprego, assim vai se formando quase que um circulo vicioso.

Desta forma estejam cientes de que sem essas artimanhas seremos os últimos da fila ou a margem de qualquer coisa que se faça neste país, já que criatividade ou pequenos e grandes delitos se misturam nesse mundo do velho jeitinho brasileiro, a não ser que queiramos viver a vida honestamente.
                                                                                                              
Jeitinho Brasileiro

(João Bosco)
Composição: João Bosco / Aldir Blanc
Pra gostar
bom é o jeitinho brasileiro
assim entre o sofrido e o catimbeiro
feito Ary numa aquarela
- mentira há de ser sinceramente,
topada também toca pra frente ¾
gostar, mas de qual delas?

(*) Maraisa de Oliveira é estudante de Jornalismo.

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