ARTIGOS

 

 

25.07.2008

RAIMUNDO MARINHO

Bens e voto

Os dados constantes dos registros de candidaturas a prefeito de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, têm revelado situações inusitadas. Nenhuma, porém, mais chamativa do que a sub-avaliação dos bens declarados pelo prefeito Carlos Roberto Souto Batista, postulante à reeleição. Sua residência, que fica no centro da cidade, foi avaliada por R$14.327,00, menos que o valor de um terreno de 300m² na periferia. Quem acompanha o mercado imobiliário local estima o valor do imóvel em, no mínimo, R$200 mil.

O apartamento que possui no bairro Chama-Chame, zona nobre de Salvador, foi declarado por R$39 mil, inferior à média dos precários conjuntos populares, como os da Urbis, que gira em torno de R$40 mil. Não chega a se constituir uma sonegação de bens, mas o aviltamento dos valores coloca o prefeito em situação embaraçosa perante o Fisco e, principalmente, junto ao eleitorado, além de expô-lo aos ataques dos adversários. É de se indagar sobre os motivos pelos quais resolveu correr esse risco.

Outra curiosidade que emerge dos registros, essa de outra natureza, é a revelação de que nenhum dos três candidatos nasceu no município. Carlos Batista (PMDB) nasceu em Alagoa Grande, na Paraíba; Gerardo Júnior (PT) é de Anagé, na Bahia; e Lia Leal (PSDB) é natural de Jequitinhonha, Estado de Minas Gerais. O vice de Carlão, Dr. Paulo Azevedo, também é de fora, nascido no antigo Água Quente, atual município de Érico Cardoso (o nome homenageia veterano político local, parente do candidato).

Por múltiplas razões, são pessoas muito ligadas a Livramento, onde se estabeleceram com suas famílias e já prestaram relevantes serviços. Equiparam-se aos livramentenses nativos, no amor ao município e interesse pela defesa de suas causas. Pelo menos é assim que todos esperam do que vier a ser ungido, através do voto dos munícipes, com a mais alta magistratura local.

O período eleitoral, como bem lembrou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, “é uma celebração da democracia”, ao que acrescentamos que deve ser vivido pelo cidadão como o momento mais importante da vida da comunidade. Recomenda-se olho vivo nos que eventualmente pretenderem, de alguma forma, conspurcar o processo. O voto deve ser tratado como bem precioso e jamais transformado em objeto de troca.

O eleitor não deve se deixar contaminar por candidatos corruptos. A Constituição diz que o Estado tem que proporcionar moradia ao cidadão. Não se contente, portanto, com um saco de cimento ou com uma caixinha de remédio, em véspera de eleição. É direito do cidadão ter um hospital à sua disposição. Não troque por nada a oportunidade de celebrar esta festa democrática e exercer com dignidade a cidadania. Esteja atento, fiscalize e não se deixe envolver pela corrupção que corrói o processo eleitoral.

(Publicado também no jornal “Folha da Chapada”, edição nº 26)

____________________________________________________

22.07.2008

OLHOS ABERTOS!

JOSÉ MARINHO

Mesmo com olhos abertos, não conseguimos enxergar a confusão da vida diária. No mundo atual em que vivemos, trilhamos muitos caminhos, alguns mais modernos outros nem tanto. Não um caminho qualquer, que poderá nos levar aonde não queremos ir.  Mas vivemos com se não soubéssemos para que temos olhos abertos. Metade de nossas vidas passamos inclinados sobre nós mesmos, como a catar coisas que jogamos fora. Só acima dos quarenta anos, é que costumamos dar conta de que, mesmo com os olhos abertos, não sabemos a razão de ser dos nossos olhos. Mas vale lembrar que, mesmo diante de tanta violência, ainda é possível ter uma vida feliz, se abrirmos os olhos.

Observem, por exemplo, um gato que tem olhos brilhantes como jóias, penetrantes como lâminas e também uma criança de olhos igualmente penetrantes e fúlgidos. Reparem no gato se preparando para dar o salto e conseguir o seu alimento. É preciso ter sempre um olhar novo, mesmo já sendo uma pessoa madura. Olhos abertos significam janelas abertas da mente, para podermos enxergar de modo bem mais amplo e não ter uma simples visão. Para os olhos funcionarem com perfeição e ver normalmente, basta apenas ter de cada lado do nosso cérebro fibras nervosas suficientes, distribuídas igualmente para cada olho.

Muitas coisas acontecem em nosso cotidiano e por isso é muito importante que não descuidemos de zelar pelo nosso organismo, para que este não venha se tornar incorretamente dirigido, sem coordenação, ou até mesmo em direções opostas. Ter olhos abertos, pode até significar, para muitos, só apenas visualizar o mundo como um excelente lugar para se viver, vendo a chuva cair, a água brilhando nos rios, riachos e lagoas.

Hoje vivemos num mundo globalizado, aonde o alfabeto e códigos de nossos órgãos vem sendo solicitados demais, e, diante de todas as angústias que levam uma sobrecarga ao nosso corpo, também sofre o nosso espírito. Como compreender, então, que muitos males já se tenha iniciado na infância, acaba se tendo uma acumulação de angústia, que até chega corroer a nossa capacidade para amar, e, assim, a preparação para vida adulta fica comprometida e a vida social também. Veja a seguir a transcrição de um trecho que fala de desenvolvimento da personalidade se referindo ao processo da alimentação.

“O prazer sensorial derivado do processo da alimentação é um exemplo. Todo o processo nutritivo traz para a mente uma agradável impressão mnêmica, desde que a boa vontade e o carinho daqueles que cuidam da criança e acompanhem o processo da alimentação. Um alimento suficiente e de boa qualidade, dado a intervalos regulares e administrado por alguém que gosta de criança, contribuiu muito para lançar as bases de uma personalidade calma, que encara o mundo como um lugar aprazível. Assim, são harmoniosamente combinados o sentimento de segurança e a capacidade de amar. Se, por outro lado, o alimento for escasso ou houver uma súbita mudança no tipo de alimento ou no método da alimentação ou ainda, se houver impaciência ou hostilidade da parte de quem alimenta a criança, então a miséria da fome ou do frio, ou falta de calor emocional produz angústia.
“Parece ser um sentido oculto (que chamaremos instinto) que, se tais condições perdurarem por bastante tempo, levará à morte. A princípio essa apreensão que ameaça um pouco a integridade do eu é um tipo de reflexo e, na realidade, muito dele perdura como reflexo por toda a vida. Uma parte importante do processo terapêutico educacional é o esforço no sentido de fazer com que o indivíduo compreenda a origem de sua angústia e do ensiná-lo com agir para livrar-se dela. É fundamental para conhecermos o desenvolvimento da personalidade, compreendermos quanta insegurança básica e angústia resultante pode ocorrer pela privação de alimento, calor ou carinho ou pela falta de compreensão do ritmo fisiológico, durante as primeiras semanas ou meses de vida e que tais situações difíceis na vida de uma criança produzirão angústia por meio de um mecanismo fisiológico definido.

“Pressão das exigências sociais. Chega um momento, entretanto, em que a pressão de certas exigências sociais é feita sobre o nosso jovem ser humano. Ele é solicitado a mudar seu modo de satisfazer suas necessidades fisiológicas à vontade de aceitar o sistema de depositar as suas excreções em um lugar determinado a um tempo determinado. No começo, isto de forma alguma é fácil, mas com a repetição da solicitação de um modo amável, durante algum tempo, o objetivo é atingido sem transtorno. Algumas crianças têm a boa sorte de receberem seu treino nessas importantes tarefas e em tal ambiente. Não se deve acreditar que essa não seja uma época muito importante para a educação da criança e o desenvolvimento da personalidade.

“Falamos rapidamente da maneira amigável necessária para conseguir esse processo educacional. Mas, nas semanas e meses necessários para aprender a usar o vaso há oportunidade para ocorrerem muitos incidentes desagradáveis. Existem muitas mães e pais, amas e outras pessoas que estão em contato com a criança, a quem não agrada toda idéia de que o ser humano deve livrar-se dos produtos inúteis do metabolismo. Elas não gostam do odor, da “falta de asseio” da criança não treinada e mostram raiva e desgosto quando a criança não aprende bem depressa a tarefa ensinada. Elas fazem tanta questão de uma rápida conformidade à preestabelecida rotina do uso do vaso, que a criança pode se tornar mais nervosa e apreensiva com medo de ser desagradável. A mãe ou ama podem ser tão insistentes sobre a importância de rápida aprendizagem do controle do esfíncter, que ela esquece a importância do desempenho dessa função em uma ambiente favorável: assim, muitos outros aspectos da vida infantil são postos também em segundo plano com relação à aprendizagem do uso do vaso.” (*)

Do que acima fica informado, é importante abrirmos os olhos, mesmo já estando avançado no tempo, pois o importante é não acreditar na frase popular que diz: “Não se pode ensinar coisas novas a um cachorro velho”. E sim dizer de uma forma melhor: “Nunca é tarde demais para aprender”. Então, leitor, os olhos de cada um de nós não se formam independente do nosso corpo, mas está ligado a ele de modo definido. A função dele é promover o controle de nós mesmos e nossas reações com outras pessoas. Vamos sempre acreditar que a vida merece ser vivida, sem ficarmos preocupados com o que poderia acontecer se a terra um dia se espatifasse de encontro com o sol.

___________________________

 (*) (Tirado do Livro de MEDICINA PSICOSSOMÁTICA, Autores: EDWARD WEISS e O.SPURGEON ENGLIS, tradução de ELSO ARRUDA, Editora Guanabara ano de 1946).

_____________________________________________________

 

18.07.2008

MEU GRITO DE ALERTA!

(Pra não dizer que não falei das flores)

Paulo Marques de Oliveira

               
Hoje, depois de tanto descaso com as coisas básicas do município, tanta incompetência escancarada, tanta infidelidade e incoerência com os propósitos de campanha; uso sistemático de processos licitatórios duvidosos, prestação de contas rejeitada pelo Tribunal de Contas dos Municípios, um Legislativa com vereadores que, provavelmente de propósito, simplesmente não conseguem motivar o povo para participar e debater questões polêmicas e sempre unânimes em apoiar, concordar e aprovar, praticamente, tudo que é encaminhado a essa Casa pelo Executivo, só uma coisa posso dizer: É lamentável a realidade desta administração! Lastimável também, esse teatro primário, infeccioso e mecânico que virou a política da nossa terra!
          
Será, que nada mais podemos fazer para reverter essa situação, será que não há mais políticos éticos e merecedores do nosso respeito e confiança, entre nós? Eu, em particular, acredito veemente que em Livramento ainda tem homens sérios, íntegros, com idéias, visão e capacidade para administrar este município. Essa nossa gente adormecida no comodismo, só precisa acordar e ter um pouco mais de interesse por esse assunto de extrema importância que é a política municipal e sua eleição.
 
Vamos, companheiros, arregaçar as mangas com coragem, aparecer e participar sem essa preocupação que, muitas vezes, nos faz achar que pra ser ou fazer política são coisas de quem tem muito dinheiro. Não podemos ficar, feito “Zé Manés”, dizendo amém para Deus e o Diabo!  Por que sentir impotente? E se fazer nulo, chulo, vilão conscientemente necessário, mas sem identidade e que simplesmente aceita ser refém de uma deturpada conjuntura política, muitas vezes sem compostura, que da qual, queira ou não, somos partes integrantes. Bem que poderíamos ser protagonistas do “bem”. Ou então coadjuvantes, se não, guardiões da nossa cidadania e críticos construtivos como tem sido, a meu ver, Raimundo Marinho!

De uma coisa eu tenho certeza, conterrâneos: quem conhece a nossa casa e seus problemas somos nós que nascemos e crescemos dentro dela. Não é o de fora que, muitas vezes, nem sabemos de onde vem, nem o que querem realmente e chega, entra adentro e acomoda como se fosse dono.

Não podemos, meus irmãos, ficar inertes, aceitando que isso aconteça à vida inteira com a gente. Imaginem o que nossos filhos e netos poderão pensar de nós, no futuro! Precisamos, já, excluí-los da nossa política e preferencialmente, daqui para frente, só escolher e aclarar pro candidatos que tem raízes ou são legítimos filhos da nossa querida Livramento.

- Ah, se eu fosse um médico? - Eu seria um médico, jamais um prefeito! Até por que lugar de médico é o Hospital e não a Prefeitura! Não quero com isso, dizer que eles não podem participar de política. É claro que, não só podem como devem, mas na área de sua competência, que é a saúde. É como a vovó já dizia: Dois sentidos não assam milho!

Quero lembrar com isso que escolas de medicina não ensinam Administração para seus alunos. Aqueles que, depois de formados, se prezam como tal, mal administram suas próprias casas. (Elas são administradas, geralmente, pelas suas esposas ou terceiros).

Médico que tem consciência do seu profissionalismo e respeita a ética juramentada, honra sua profissão sendo humanitário e com dedicação integral a salvar vidas! Quando um deles, em cidades carentes e doentes como a nossa, por exemplo, aproveita da importância e do valor que tem como um profissional, principalmente entre leigos e pobres, e tenta ser prefeito, é porque, provavelmente, tem segundas intenções e convicção que jamais chegará onde pretende na sua área. Tem ciência da sua incompetência. Eu pergunto então: o que se pode esperar de um médico como médico quando esse é prefeito? E o que podemos esperar de um prefeito que foi preparado pra ser médico?
             
Olhe, a ânsia por mudança e a falta de opção terminaram nós induzindo ao erro que
cometemos, mais uma vez, nas eleições passadas. Se bem que a intenção, naquela época, era acertar, mas, infelizmente, o tiro saiu pela culatra!
           
Vai fazer quatro anos que, por uma fatalidade ou força do destino, hoje temos um médico que virou prefeito. Como gestor, ele até agora fez uma administração apática e sem resultados significativos, cheio de paliativos e nenhum projeto expressivo. Portanto, -”Dito e Feito”. Que duplazinha desafinada! E o mais incrível: quer mais 4 anos pra brincar de administrador!

O povo de Livramento precisa entender e não repetir mais esse outro erro que é a “reeleição”. Como conseqüência, tivemos o crescimento estagnado, retrocesso na educação e no social, e o pior de tudo: incompetência de gestão e evasão inconseqüente dos recursos público; entre tantas outras. Temos, portanto, que ser contra a reeleição de postulantes a qualquer cargo político. Pois, só o novo representa esperança, sede de trabalho e por resultados, inovação e credibilidade.

É dar continuidade ao erro que cometemos em 2004, apoiar e reeleger candidatos da situação. É burrice, é não ter consciência do sensato, da lógica e do melhor para Livramento. Certamente só farão isso àqueles que são, politicamente, cegos, absolutamente omissos, submissos e dependentes de migalhas ou, então, peixes submersos em um mar de maracutaias e conchavos políticos. Por isso, tenho convicção de que precisamos, e já, renovar a Câmera dos Vereadores e o Executivo. Não podemos
ficar a mercê das oligarquias em transes permanentes, sem plano de governo, sem metas e que mais parecem navios de piratas à caça do tesouro público.

É óbvio, que não é cobrando taxas de quem precisa de incentivo para crescer e criar empregos, nem criando impostos e mais impostos para serem cobrados de quem implora
por amparo e assistência social, que um gestor se mostra competente. Atitude sim, é prova cabal do inverso, do inepto e do comodismo; principalmente, quando isso acontece paralelo a uma incrível capacidade de evaporização dos recursos municipais sem solucionar problemas banais como recuperação do piso da Praça do Colégio J.V.Boas, higiene e estética da feira, organizar o trânsito no centro da Cidade, que hoje é caótico por falta de atitude e boa vontade do prefeito. Pensem nisso!                                                                                       
                                                                                   

                    

Livramento, 15 de julho de 2008.  

                    

_____________________________________________________

 

15.07.2008

Mau uso dos colírios
causa catarata, problemas
cardíacos e até perda visão

(Transcrito do site UOL)

Existem vários tipos do medicamento e nenhum deles é inofensivo. A maioria das pessoas pensa que eles são inofensivos e usa à vontade, sem nem olhar o rótulo. Pior ainda: tem gente que usa o colírio dos outros na maior despreocupação. Um erro grave, colírio é igual à escova de dentes: cada um precisa do seu para evitar contaminações , afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier,hospital especializado em doenças dos olhos desde 1920.
 
A escolha do medicamento também exige orientação médica. Colírios antibióticos, usados por tempo prolongado, reduzem a resistência imunológica e aumentam a predisposição a úlceras na córnea e a outras infecções , afirma o médico. Já os antiinflamatórios hormonais (com corticóide) podem causar catarata e glaucoma. Até os populares vasoconstritores, usados para reduzir irritações oculares, aumentam o risco de catarata pelo uso prolongado . Outra surpresa: o uso de pílulas anticoncepcionais à base de estrógeno está relacionado à síndrome do olho seco (quando há baixa na produção de lágrimas), exigindo o uso de umidificadores.

Um estudo conduzido pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier demonstrou ainda que o mau uso do colírio atinge 67% dos tratamentos. Os erros mais comuns são a contaminação do bico dosador pelo contato com o dedo ou mucosa ocular, piscar várias vezes após a instilação (colocando o medicamento para fora dos olhos), automedicação com o colírio inadequado e absorção do medicamento pelo organismo (para evitar efeitos colaterais sobre o organismo é necessário ocluir com o dedo indicador o ducto lacrimal na extremidade interna do olho. Este simples cuidado evita, por exemplo, alterações cardíacas em casos de uso de colírio vasoconstritor).

Abaixo, você confere a longa entrevista que o médico deu, com exclusividade, ao MinhaVida e aprende a proteger sua visão contra a série de agressões que ameaçam seus olhos, diariamente.

Que tipos de colírios existem? - Os principais tipos de colírio são: antibiótico, antiinflamatório hormonal (com corticóide) e não hormonal (sem corticóide), antialérgico, vasoconstritor, lubrificante, antiglaucomatoso (para tratamento de glaucoma) e os anestésicos.

Quais deles dilatam a pupila? - E quais os riscos de fazer isso mais de uma vez ao dia?
Os colírios que dilatam a pupila são os derivados de adrenalina. Entretanto, a pupila de pessoas que têm maior sensibilidade, comum entre as de olhos claros, pode dilatar após o uso de outros tipos de colírio. O risco do uso freqüente é a ocorrência de uma crise de glaucoma agudo, caracterizada por dor intensa e perda repentina do campo visual. Pode acontecer se a pessoa tiver a câmara anterior rasa (espaço pequeno entre a córnea e a íris).

Contra que problemas os colírios com antiinflamatórios são usados? - São usados nos pós-operatórios e contra a conjuntivite viral, para reduzir o desconforto, e em todos os processos inflamatórios dos olhos como: blefarite (inflamação da pálpebra), irite (inflamação da íris parte colorida dos olhos), episclerite (inflamação do tecido que cobre a esclera - parte branca dos olhos), esclerite (inflamação da esclera) e uveíte (inflamação dos tecidos da uvéa que inclui íris, corpo ciliar e coróide).

No que diferem os sintomas da conjuntivite viral e da bacteriana? - A diferença nos sintomas é a secreção aquosa na conjuntivite viral e amarelada na bacteriana. Além disso, o vírus que provoca a conjuntivite tem apresentado grande poder de replicação, ganhando mais resistência. Há casos de pessoas que ficam por mais de um ano com o vírus nos olhos, replicando-se (o que compromete a região central da córnea e causa baixa acuidade visual). É necessário usar corticóide para combater a inflamação. Mas o uso prolongado é perigoso, porque pode levar à catarata (opacificação do cristalino) e ao glaucoma, doença assintomática que é a maior causa de cegueira irreversível.

Por que os adultos sofrem mais com a conjuntivite viral? - Eles estão mais expostos a situações de estresse que reduzem a imunidade. Além disso, estudos mostram que conforme a idade avança há uma redução de produção da lágrima (cuja função é proteger nossos olhos). Outro fator que contribui para esta maior incidência da conjuntivite viral entre adultos é o uso de lentes de contato, o que também contribui para o maior ressecamento da lágrima.

E os antibióticos, eles combatem que tipos de doenças dos olhos? - Os antibióticos combatem todos os processos infecciosos. O mais comum é a conjuntivite bacteriana, que tem maior incidência no verão. A doença atinge mais as crianças. Isso porque elas costumam ficar por mais tempo na água do mar ou piscinas que muitas vezes está contaminada.

O que muda de um colírio antiinflamatório com corticóide para outro, sem? - A grande diferença está no efeito. O antiinflamatório hormonal (com corticóide) tem uma ação mais agressiva, com maior penetração e maior poder sobre as células inflamatórias. Mas só deve ser usado em casos graves por causa dos efeitos colaterais.

Qual o período máximo que esses produtos podem ser usados sem risco? - Varia de acordo com a fórmula, a doença e a sensibilidade de cada pessoa. Em geral combatem as doenças em até duas semanas, mas devem ser usados sempre com acompanhamento médico. Isso porque, antibióticos, usados por tempo prolongado, reduzem a resistência imunológica e exigem atenção médica por aumentarem a predisposição a úlceras na córnea e a outras infecções. Já os antiinflamatórios hormonais (com corticóide),quando usados prolongadamente, podem causar catarata e glaucoma. Até um colírio vasoconstritor, usado para reduzir irritações oculares, pode causar catarata pelo uso prolongado.

Os efeitos colaterais restringem-se aos olhos? - Quando pingamos colírio, devemos tampar o canal (ducto) lacrimal na extremidade interna do olho. Através deste canal, o medicamento penetra nas mucosas da rino-faringe e passa à circulação sanguínea. Com isso, os princípios ativos passam a agir não apenas nos olhos, mas em todo o organismo. Por isso, pessoas que já têm propensão a alterações cardíacas podem ter o problema agravado com o estreitamento de todas as veias e artérias do corpo ao aplicar um colírio vasoconstritor, por exemplo.
Qual a diferença de ação no aparelho ocular entre um colírio antiinflamatório e um antibiótico? - O colírio antiinflamatório combate processos de inflamação caracterizada por desconforto, coceira, vermelhidão e inchaço causados por vírus, trauma ou resposta a um processo alérgico provocado pelo contato com agentes químicos como cloro, maquiagem ou cremes. Só são indicados antiinflamatórios hormonais quando em casos graves de inflamação ou alergia. Já o colírio antibiótico combate as infecções que são causadas por bactérias (caracterizadas pelo prurido amarelado nos casos de conjuntivite.

As soluções lubrificantes, para quem usa lentes de contato, oferecem algum risco? -
Sem dúvida, quem usa lentes de contato deve lubrificar os olhos com lágrima artificial para reduzir o desconforto causado pela poluição, ar condicionado, horas em frente ao computador e até o uso das lentes por muitas horas. De preferência, ressalta, a lágrima artificial não deve conter conservante para que não cause processos alérgicos que inviabilizam o uso das lentes. As embalagens e bulas trazem esta informação. Todo produto que tem validade após ser aberto contêm fórmula à base de conservantes. Os produtos livres deles são os manipulados que, geralmente, são vendidos em dose única diária, pois na falta de conservantes a vida útil é sempre mínima. Existem só três tipos de conservantes que são usados para todos os tipos de colírio, e algumas pessoas são alérgicas a estas substâncias. A lágrima artificial sem conservante não oferece risco à saúde ocular.

Aquelas loções, no estilo Renu, podem ser usadas sem medo? - A manutenção das lentes de contato deve combinar solução multiuso e limpador enzimático para garantir que as lentes fiquem livres de depósitos protéicos, principalmente para quem troca de lente anualmente ou tem filme lacrimal oleoso. Estudos demonstram que só a solução multiuso não é suficiente para eliminar totalmente os depósitos protéicos das lentes. Mas há casos de desenvolvimento de alergia às substâncias dessas soluções, por isso a adaptação às lentes deve ter acompanhamento médico, ressalta. Além disso, a qualquer desconforto, o uso das lentes deve ser interrompido e há necessidade de uma consulta para verificar se houve alguma alteração importante na saúde dos olhos.

As fórmulas no estilo Moura Brasil e Lavolho servem para quê? Elas também são perigosas? - Estes colírios são vasoconstritores, usados para reduzir irritação ocular que pode ser provocada por diversos agentes. Só devem ser usados sob prescrição médica porque, ao deixarem os olhos brancos, podem mascarar doenças e pode causar a catarata. Esse tipo de colírio também causa contaminação ocular, porque geralmente é usado por toda família, um erro. Colírio é igual à escova de dentes, cada pessoa deve ter o seu para evitar que aconteçam contaminações.

Quem trabalha em frente ao computador tem como se prevenir dos olhos secos? - Nossos olhos não foram feitos para fazer leitura vertical. Não é à toa que 75% dos usuários de computador têm Síndrome da Visão no Computador (CVS). As principais recomendações do médico para evitar o ressecamento da lágrima são:
- Posicionar o monitor de 10 a 20 graus abaixo do nível dos olhos.
- A cada hora, descansar de 5 a 10 minutos, saindo de frente do computador.
- Piscar voluntariamente quando estiver usando o micro.

Os cuidados que reduzem o cansaço visual são:
- Manter a tela do monitor à distância de 60 cm dos olhos.
- O monitor não deve ficar de frente para a janela, pois a luminosidade causa ofuscamento, e nem de costas (a posição forma sombras e reflexos que causam desconforto).
- Evitar excesso de luminosidade das lâmpadas e luz natural, pois as pupilas se contraem e geram cansaço visual.
- Regular sempre a tela com o máximo de contraste, e não de luminosidade.
- Manter a tela do monitor sempre limpa.

O que pode ocasionar uma baixa na produção de lágrimas? - A redução na produção de lágrima pode estar relacionada a fatores externos excesso de ar condicionado, ar seco típico do inverno, uso intensivo do computador e uso de alguns medicamentos, como antialérgicos e pílulas anticoncepcionais feitas só com estrógeno. A reposição hormonal feita só com este hormônio também aumenta o olho seco. Fiz um estudo que demonstra o seguinte: mulheres na pós-menopausa que fizeram a reposição hormonal associando estrogênio e progesterona apresentam 35% menos olho seco, em comparação às que utilizaram apenas o estrogênio. Quem usa medicamentos para tratamento de disfunções da tireóide e diabéticos que tomam medicamentos hipoglicêmicos também têm redução da produção lacrimal.

Por que as lentes gelatinosas ressecam os olhos? - As lentes hidrofílicas, embora mais confortáveis, hidratam-se da própria lágrima e podem causar o desconforto do olho seco a qualquer pequena redução da produção lacrimal. Vale lembrar que, durante a noite, a produção de lágrima é menor. Por isso, ele diz que dormir com lentes de contato pode agravar ainda mais o olho seco.

Que tipo de colírio pode ser usado contra irritação da água do mar, da piscina ou de ambientes poluídos? - O mais indicado é usar compressas frias feitas com água potável. Não desaparecendo a irritação em dois dias, procure um oftalmologista.

Ficar sem usar colírio, com os olhos irritados, faz mal? - Certamente. Quando a irritação persiste por mais de dois dias usando compressas frias, com água filtrada, é sinal de que há uma doença latente que deve ser tratada com medicamentos. Importante ressaltar que nenhum colírio deve ser usado sem prescrição e acompanhamento médico. O brasileiro ainda acredita que colírio é uma água refrescante. Mas se trata de um medicamento, que exige controle de um especialista para prevenir lesões.

Dr. Leôncio Queiroz Neto
19/3232-3227 ou 19/3235-2202
leoncio@penidoburnier.com.br
http://www.drqueirozneto.com.br

Instituto Penido Burnier
Telefone: 19/3232-5866
http://www.penidoburnier.com.br/

____________________________________________________

 

10.07.2008

Tema de redação expressa
sentimento de dias melhores

Maraisa de Oliveira

Independência da Bahia, este foi o tema do concurso de redação lançado no dia 28 de maio no Diário Oficial pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC). As redações foram realizadas entre os dias 5 e 6 de junho, com o objetivo de promover a reflexão dos estudantes para a importância histórica desse período. A estudante Eva Taíne do 1º ano do ensino médio, apesar de não ter ficado entre as finalistas, com certeza conquistou o primeiro lugar na vida de muitas pessoas. Com uma redação clara e questionadora chama a atenção de quem teve a oportunidade de ler.

Como e quando estamos lutando? Livres da colônia portuguesa e a mercê dos pequenos? Não? O povo enfrenta uma luta pela sobrevivência a cada dia e os governantes finge não enxergar as dificuldades. Está chegando a época das eleições e os políticos se aproveitam dessas pequenas coisas para fazer sua cama de descanso. A ética já foi esquecida. Está na hora das Maria Quitéria e os Labatut entrarem em cena para buscar o último espetáculo, lutar. Não devemos nos esquecer que temos tudo a nosso favor. Não se deixem enganar pelas falsas promessas e sorrisos simpáticos. A seguir o texto da estudante:

Independência da Bahia

A independência do Brasil, como todos sabem, teve a peculiaridade de manter a unidade nacional. Contudo, algumas províncias não se incorporaram de imediato ao império que nascia, dentre elas a Bahia. Era essa localizada numa região onde a coroa portuguesa sempre tivera um amplo controle político e militar. Daí a relutância em aceitar a autoridade no novo governo independente. A luta pela independência da Bahia inicia-se com o comando do Marechal Pedro Labatut, que logo após recebe a ajuda de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, uma mulher que vestiu as fardas de soldado do batalhão de “Voluntários do Príncipe”, lutou em defesa da Bahia e do Brasil e aos 02 de julho de 1823 após constantes lutas, a Bahia torna-se, então, livre da colônia portuguesa.

Eva Taíne Caíres Correia
1ª série do Ensino Médio

Relembrar o 02 de julho é, antes de ser motivo de festa, um motivo de reverenciarmos as pessoas que fizeram da Bahia um estado independente, tais como a guerreira que se fez soldado, a heroína Maria Quitéria e o grande Marechal Pedro Labatut, dois grandes nomes e pessoas importantes por uma conquista, que deram tudo de si por uma Bahia melhor, livre e independente. E hoje, onde estão as nossas “Maria Quitérias” e os nossos “Labatut”? Como e quando estamos lutando pela realidade do povo que sofre com as mazelas? Será que estão livres e independentes destas situações ou fazendo-se de “cegos”, “estatizando-se’ enquanto pessoas sofrem?”.

Que o 02 de julho possa sim ser motivo de ostentação, mas que possam lembrar também que é tempo de reivindicar e lutar por uma Bahia melhor. Que o nosso povo seja feliz, e que nossa terra seja vista pelas pessoas de outras terras e pelos outros estados, não como um lugar da seca e da miséria, mas da prole de nosso país e de belezas raras e inigualáveis. Que a “fênix”, como o espírito de Maria Quitéria e de Pedro Labatut, possa surgir no coração de cada pessoa que se diz e tem a honra de ser baiano. Somente assim, podem tornar cada vez mais a nossa linda terra em uma “terra de encantos mil”. “Nasce o sol a dois de julho, brilha mais que o primeiro é sinal que neste dia, até o sol é brasileiro... Nunca mais, nunca mais o despotismo, regerá, regerá nossas ações”.  

____________________________________________________

 

10.07.2008

Só falta gestão (*)

Raimundo Marinho

É irreversível o destino de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, como pólo de desenvolvimento regional, em bases semelhantes a Vitória da Conquista, no Sudoeste baiano. É bem verdade que Conquista se beneficiou muito da condição privilegiada de entroncamento rodoviário, a partir da implantação da BR 116, mas também é certo que soube aproveitar o time e absorveu demandas desenvolvimentistas então restritas à região litorânea de que Ilhéus e Itabuna eram os centros. Assim, tornou-se pólo inicialmente agrícola, com o café, e, depois, comercial, imobiliário e de serviços, notadamente nas áreas da saúde e educação. Hoje é um município quase autônomo, nesses aspectos.

Afora a posição em relação ao litoral e à capital, Livramento possui, hoje, guardadas as devidas proporções e peculiaridades, aquelas características conquistenses. Tem as bases para um desenvolvimento agrícola semelhante, só que tendo como base a fruticultura; experimentou, nos últimos anos, uma extraordinária expansão comercial; comporta a instalação de unidades de ensino em todos os níveis; detém o perfil de entroncamento rodoviário, com três confluências importantes; além do diferencial que é seu potencial turístico, como município inserido no “circuito do ouro” da Chapada Diamantina.

E o que falta? Somente gestão planejada e a infra-estrutura dela decorrente, que deve englobar, por exemplo, irrigação, vias de comunicação, zoneamento e ordenamento urbano. Além da obrigatoriedade de ter uma gestão racional da água e utilização responsável e fiscalizada das técnicas e dos defensivos agrícolas.

Essa análise forçosamente leva as atenções para as eleições de outubro, deflagradas dia 29 último com a homologação das candidaturas a prefeito e vereadores. Os próximos quatro anos são decisivos e terão os eleitos a responsabilidade de se debruçar sobre a questão e apresentar a proposta de futuro que a comunidade de Livramento já reclama há muito tempo. Os nomes saídos das convenções, em ordem alfabética são: Carlos Batista (PMDB), Gerardo Júnior (PT), Lia Leal (PSDB) e Paulo Azevedo (DEM). Não se pode negar a eles valores pessoais, mas a corrupção das estruturas partidárias e do processo político enseja o alerta para que haja reciclagem da idéia desenvolvimentista, para evitar que essa natural vocação do nosso município seja sufocada ou retardada.

Voltemos ao exemplo de Vitória da Conquista, onde a história aponta para a existência de vinculação do progresso com lideranças políticas fortes e inteligentes e implantação de obras infra-estruturais oportunas, como a BR 116 e o projeto da cafeicultura, bem como o estímulo a investimentos na área da saúde e educação. Cremos que nosso Livramento, em termos absolutos, está longe do atendimento a esse pré-requisito. Mas, em termos relativos, as candidaturas postas detém o mínimo da formação necessária. Basta que o eleito se descontamine da corrupção sistêmica que envolve o atual modelo político-eleitoral, que recicle suas idéias e se conscientize da necessidade de respeito ao mandato almejado, que tem o povo como único dono.

(Publicado também no jornal “Folha da Chapada”, edição nº. XXV, de 01.07.2008)

____________________________________________________

 

06.07.2008

LENDO O MANDACARU!

JOSÉ MARINHO (*)

Ao ler o Mandacaru, fico deslumbrado pela importância com que tem tratado a política de Livramento. Sabemos que a realidade não é o acúmulo de unidades separadas, umas ao lado das outras, sem conexão entre elas. O Leitor deste espaço pode perguntar o que é realidade? Eu diria que é “massa” e que mantém relações com outras “massas” (sendo que o termo “massa” já é em si um termo de relacionamento) e não apenas um termo de realidade físico-química de uma matéria qualquer, que exige ou sujeita certas leis peculiares. Então, realidade aqui diz respeito à realidade social humana.

Um dia, houve o primeiro homem que precisou inventar uma arma para caçar, na idade da pedra. Seu pensamento foi cobrir um tronco de árvore ou uma grande pedra com uma pele de animal, para atrair outros animais da mesma espécie. Não muito diferente do que hoje fazem os políticos em época de eleições, só que com técnica bem mais sofisticada de caça do voto. Utiliza novos instrumentos, até por entender que o povo já atingiu maior grau de desenvolvimento. Esse desenvolvimento representa mais liberdade, proveniente da prática da educação.

A educação consciente pode até mudar a natureza física do homem e suas qualidades, elevando-lhe a uma Educação com “E” maiúsculo. O homem a pratica com a mesma força vital, criadora e plástica, que espontaneamente impele todos a uma conservação e propagação do seu tipo. É nela que essa força atinge o mais alto grau de intensidade, através do esforço consciente em busca do conhecimento e da vontade dirigida para a consecução de um fim.

A educação deve ser um bem de todos, e não individual, pois ela pertence, por essência, a toda comunidade. Sabemos que o caráter de uma comunidade imprime-se em cada um de seus membros, ficando claro que sua estrutura se assenta nas leis e normas escritas e não escritas, que a unem e unem também os seus membros. Assim, toda educação é o resultado da consciência viva de um povo, quer se trate da família, de uma classe ou de uma profissão ou de um agregado mais vasto, como um grupo étnico, uma cidade ou o Estado.

A educação afeta a vida e o crescimento de qualquer sociedade, tanto no seu destino exterior como na sua estruturação interna e no desenvolvimento espiritual, uma vez que o desenvolvimento social depende da consciência dos valores que regem a vida de cada cidadão, seja ele culto ou não. Nesse sentido, podemos dizer que a tradição vem sendo violentamente destruída, ou seja, sofre de altíssima decadência interna nos nossos dias.

Faço este comentário em razão de, mesmo diante de tanta investigação moderna, no século atual, ainda se convive, queira ou não, com muitos fanáticos políticos - e de outras espécies - que nem se quer entendem, ou fingem não entender, por um interesse qualquer, o seu maior valor adquirido - se é que já adquiriu, como tentei comentar acima - que é a educação, cuja essência modela, digamos assim, os indivíduos, pelas normas que regem uma comunidade.

Veja, por exemplo, o eleitor de hoje, que declara em quem vai votar sem qualquer pretexto. Pode estar cometendo grande erro contra si e contra o fortalecimento da coletividade onde vive, pois o voto é secreto ou deveria ser, até o momento em se estiver diante da CABINE ou URNA. Se assim não fosse, não necessitaria de CABINE e nem de URNA para tal. Mas, sabemos que não é assim que acontece, pois ainda não alcançamos tal avanço.

Talvez seja por isso que os escolhidos se tornam tão omissos depois. Alguns até se dão ao luxo de nem sequer fazer um levantamento das dificuldades que aguardam soluções urgentes, em suas comunidades. Levantamento esse que já poderia ser um projeto mínimo de governo. Não adianta o eleitor ficar só nas lamentações antes, durante e depois, pois por alguma razão não lógica, acaba se mostrando a favor de defender esse ou aquele candidato, quando deveriam era respeitar a todos e só no dia certo ir lá e escolher o que a sua inteligência julgar que deve ser escolhido.

Você que ler este texto, lembre-se que, em tempo de campanha, todos os políticos são hábeis em colocar de forma nova um problema velho. Talvez apenas por ignorância ou simplesmente por subestimar a inteligência de cada eleitor, já que este nem consegue mais guardar segredo de seu ouro que é o voto. Os políticos, na sua maioria, percebem que o fato do processo educativo é vinculado ao apregoado pelos sofistas, considerados os fundadores da ciência da educação, da origem da pedagogia e do ideal de cultura que chegaram até nós.

É importante salientar que a culpa maior decorre de não se ensinar de forma devida nas nossas escolas nem Filosofia nem Sociologia do Conhecimento. Enquanto isso, a cobiça pelo dinheiro e pelo poder faz com que, mais uma vez, candidatos preparem suas garras para levantar vôo, como fazia a coruja de Atenas ao declinar de cada dia.

O meu intento não é aqui exercer nenhuma influência política sobre ninguém. Penso apenas que seria bom que cada leitor, que também é um eleitor, faça sua própria reflexão do que acabam de ler, sobre o momento que estamos vivendo.  Encerro, portanto, transcrevendo letra de antiga canção de amor, das muitas escritas no antigo Egito:

“Meu coração se apodera de você, meu bem.
 faço tudo o que você quiser.
Quando me acho entre os seus braços
 Meu desejo é a minha máscara:
 quando vejo você, meus olhos brilham.
 Aconchego-me bem a você para enxergar o seu amor.
Você, o marido do meu coração.
Esta hora, a mais bela entre todas as horas,
 possa ela ampliar-se até a eternidade.
Desde que eu dormi com você,
Você amotinou o meu coração.
 Quer o meu coração se rejubile ou chore,
Não se afaste de mim!”

(*) José Marinho – Graduado em Filosofia e Ciências Humanas

____________________________________________________

Clique aqui para ver artigos anteriores.